09 março 2015

Como o novo modelo de OSP’s pode ser o fim das gateways do Pico e Santa Maria.

De acordo com as afirmações do Secretário Regional do Turismo e Transportes, o novo modelo de obrigações de serviço público entre Lisboa e o Pico, Faial e Santa Maria, associado à liberalização das rotas para São Miguel e Terceira, faz com que os Açores sejam como um aeroporto único, com todas as gateways a competir entre si. Supostamente, haverá liberdade absoluta na escolha do aeroporto por onde se pode apanhar um voo para o Continente. Por exemplo, um Picaroto poderá, mesmo nos dias em que há ligação a partir do aeroporto do Pico para Lisboa, escolher viajar via São Miguel e seguir viagem em qualquer das companhias que lá operem. A viagem Pico – São Miguel terá custo 0, o preço a pagar será o do bilhete PDL-LIS-PDL.

Embora ainda existam questões por esclarecer, neste cenário, a confirmar-se, levantam-se dúvidas sobre a subsistência dos voos de Lisboa para o Pico e Santa Maria. Com as novas OSP deixa de existir uma compensação financeira atribuída à companha aérea que opere para estas Ilhas, passando a mesma a ser atribuída aos passageiros que paguem mais do que 134 euros pelo seu bilhete, pelo que a companhia terá de cobrar pelos bilhetes o suficiente para cobrir todos os custos operacionais da rota. Como a taxa de ocupação para estes aeroportos não é alta, o custo destes voos terá de ser repartido por menos passageiros, logo cada bilhete será mais caro do que os bilhetes disponíveis para as gateways mais movimentadas. Se o bilhete é mais caro do que os bilhetes disponíveis via São Miguel e nos oferecem ligação a São Miguel a 0 euros, é natural que menos passageiros escolham viajar nos voos “diretos” disponíveis no Pico e Santa Maria, o que por sua vez contribui para uma taxa de ocupação ainda mais baixa, o que por sua vez aumenta o custo da operação por lugar vendido, o que por sua vez aumenta o preço dos bilhetes que as companhias podem oferecer para não perder dinheiro nessa rota. Tudo isto, aliado a uma maior oferta de lugares no inverno, favorece uma diminuição nas estatísticas dos voos “diretos” para estas ilhas, números que podem muito bem justificar um futuro abandono das gateways.

Segundo o SREA a TAP transportou em 2014 de e para o Pico 11376 passageiros. Considerando 66 frequências anuais estamos a falar de 86 passageiros por voo ou 65% de taxa de ocupação utilizando como referência um A319. Só a mudança para um A320 baixa este número para 52%.

Segundo o SREA a SATA internacional transportou em 2014 de e para Santa Maria 6274 passageiros. Considerando 52 frequências anuais estamos a falar de 60 passageiros por voo, ou 37% de taxa de ocupação num A320.

Num cenário hipotético em que a TAP optasse por utilizar o Fokker 100 da PGA nestas rotas, os mesmos números de passageiros equivaleriam a 89% de taxa de ocupação na rota do Pico e 63% na rota de Santa Maria.

Estes números demonstram que não é só o “mercado” que influencia as estatísticas mas também as escolhas que se podem fazer na definição das OSP, que são da responsabilidade dos nossos governantes. 

11 comentários:

Artur Xavier Soares disse...

Para mal dos nossos pecados, tenho de concordar que, com o novo modelo, a gateway PICO deverá ter os dias contados. Para gáudio de alguns e profunda tristeza nossa. Nascemos malfadados. É o que é!

Anónimo disse...

Não acredito que isso aconteça, acho que para o ano o governo vai rever toda esta situação e vai tentar corrigir todo este problema, é apenas uma opinião minha. Um abraço da ilha vizinha ( Faial)

Anónimo disse...

olá boa noite.
com um fokker, como conseguias levar a bagagem dos passageiros e a carga?
antes de deitares estas tuas brilhantes ideias cá para fora, devias falar com o Senhor Medeiros, que foi muitos anos chefe de escala da Sata no aeroporto do Pcio, para eles de dar umas noções de load control!
Bons voos!!!!

Rui Medeiros disse...

Segundo os dados publicados em www.flyfokker.com, sim. E então considerando que os voos agora são via Terceira, o payload nunca chegaria a ter qualquer restrição.

Anónimo disse...

amigos, isto é uma guerra perdida, acho que não vale mais a pena debater estes assuntos da sata e da tap, o que aconcelho é as 3 ilhas que fazem parte do triãngulo (assim chamado) se unem de uma vez por todas e façam com que o turismo cada vez mais procures essas tres ilhas pois já está mais que provado que as tres ilhas juntas são um grande potencial, mas para isso é preciso união, e se continuarem com bairrismos entre ilhas podem querer que cada vez mais ficam a perder , isso não tenham duvidas.

Lima Gomes disse...

olha que não.
não bem assim.
há vários fatores em ter em conta, o senhor Medeiros sabe disse , por experiência própria.
Os manuais são uma coisa, a vida no batente ensina outras.
Bons voos!

Lima Gomes disse...

Olha que nem sempre é assim.
o senhor Medeiros, sabe muito bem disso.
Muitas vezes os manuais dizem muita coisa que no local nem sempre se consegue executar, pois questões e segurança, não pensem que é por falta de conhecimento.

bons voos!

Lima Gomes disse...

Olá boa noite novamente.
olha que nem sempre é assim tão linear.
Os manuais dizem coisas que no local muitas vezes é difícil de executar, não por falta de conhecimento dos executantes, mas por diversos fatores que o nosso amigo sr Medeiros tão bem os conhece.
Bons voos!

Anónimo disse...

Olá boa noite novamente.
Olhe que não é assim tão linear como isso.
Os manuais dizem coisas, que muitas vezes no LOCAL e atendendo a vários fatores, nem sempre pode ser como tal.
o nosso amigo senhor Medeiros pode-te dar umas dicas.
Tua sabes que ele ainda percebe disto!
Bons voos!

Rui Medeiros disse...

Sei que os dados da Fokker têm de ser lidos com atenção às suposições que foram consideradas para chegar aos valores ilustrados e que coisas como temperatura, pista molhada, slope, entre outras, vão piorar os números. No entanto, saindo para a Terceira, a margem é tão grande que não vejo como poderão ainda aplicar-se quaisquer restrições de payload a um Fokker 100. E quando me pergunta se o Fokker 100 podia levar os pax e carga do Pico para Lisboa, voo direto, a resposta é sim, dentro de certas condições.
Mas usei o exemplo do Fokker 100 por ser um avião que até já voa em Portugal e como tal não é muito forçado pensar que fosse uma opção, para transmitir a ideia de que podem muito bem existir soluções mais adequadas à realidade destas rotas do que as escolhas agora feitas. Para mim, o avião para estas duas rotas é o Embraer 170.

Anónimo disse...

Mas será que secretario não disse nada de positivo? Claro que ele não disse o que todos queriamos:estao garantidos 4 ...5 ...voos para o Pico, mas disse e ouvimos coisas significativas. Viajamos por onde queremos, nao pagamos mais de 134 ou 99, vamos ao funchal por 119 euros, creio, posso ir por s. Miguel, terceira, continuar a viajar pela sata. So faltam nais voos para lixboa e inter ilhas. Saibamos lutar unidamente por isso e nao contra ninguém. A nossa luta é com o governo, nao com as outras gates. Forca pico. Faca-se menos politiquice partidaria. O pico será sempre o meu partido. A. ANDRÉ