13 outubro 2010

Frequências e a Terceira

Uma das principais razões que levaram à polémica em torno da decisão da SATA em basear todos os seus aviões, que fazem as ligações inter-ilhas Açorianas, no aeroporto João Paulo II, é a premissa de que existiriam mais e melhores ligações, se uma das aeronaves tivesse base na Terceira.
Às vezes questiono o que quererão os Terceirenses dizer com isso, uma vez que outra das armas de arremesso que utilizam nesta luta, prende-se com a suposta realização de voos supérfluos para reposição dos aviões da Terceira para Ponta Delgada e vice versa. Ora se, nessa óptica, existem voos a mais, o que querem dizer com mais e melhores ligações?
Vejo uma possibilidade, podem estar-se a referir aos voos à moda antiga, quando os voos para outras ilhas eram todos via terceira e lá se passavam manhãs e tardes inteiras à espera de ligações. Bom para a economia Terceirense, mau para todos os outros…
A verdade é que a discussão que se gerou em torno desta questão parece estar a distrair toda a gente, com o que se pode ver como uma birra bairrista, enquanto o verdadeiro busílis da questão vai ficando para segundo plano e, mais uma vez, toda a gente se queixa dos horários de inverno que estão para entrar em vigor.
Resumindo, temos a nova frota com os Q200, que supostamente nos vinham melhorar as condições com mais frequências e temos um horário de Inverno que pouco mudou em relação ao ano transacto, que já é alvo de críticas públicas por parte das forças vivas da Graciosa e Flores.
A ida de uma aeronave para a Terceira não traz, por si só, mais e melhores ligações. E é por isso que é preciso lutar.
A meu ver, temos 1 Q400 a mais e 1 Q200 a menos. Só com um Q200 a operar nos Açores não há flexibilidade e disponibilidade para o tão desejado aumento de frequências no Inverno. Chegam a existir rotações inteiras operadas com o Q400 em que o número de passageiros em cada voo não excede a lotação do Q200… E não é base-à-lo, ou não, na Terceira que resolve a questão.
No fim de contas temos os políticos todos entretidos numa discussão que não parece ter fim à vista e que, seja qual for o resultado, não implica melhorias reais no transporte aéreo nos Açores, a menos que se tomem outras medidas complementares que de facto alterem a política de frequência de voos.

P.S.: No meio de tudo isto, convém voltar a mencionar que gerir as 15 rotas de serviço púbico que estão concessionadas à SATA Air Açores, de modo a garantir boas ligações e horários a todos os Açorianos, não é, de forma alguma, uma tarefa simples, não existindo soluções universais.

2 comentários:

artur xavier disse...

Desculpem-me por saír um pouco do tema lançado a discussão, mas lá estou eu a voltar à vaca fria... O voo TAP, do dia 18 de Dezembro LXA/PIX, já se encontra encerrado, não admitindo, sequer, lista de espera. Porém, ainda hoje, consegui lugar para mim e família (3 pessoas), no mesmo dia, para o Faial. Não custa muito mais. É só apanhar um táxi para a cidade e o "cruzeiro" até à Madalena. Um saltinho!
Num dia tão cheio de emoções, de uma ponta à outra deste mundo, em que se procede ao resgate dos 33 mineiros soterrados no Chile, quero associar-me à angústia da família da jovem acidentada no Pico, que pretende saír para Lisboa a fim de receber tratamento hospitalar. É revoltante, diria mesmo que mete dó, assistir e saber das peripécias porque essa Gente tem passado. Louvado seja Deus!

Bruno Rodrigues disse...

Rui, 5 anos depois parece que o atual CA da SATA te dá razão, quando dizias "A meu ver, temos 1 Q400 a mais e 1 Q200 a menos", já que correm rumores que pretendem avançar com a venda de 1 Q400. Claro que hoje temos 2 Q200 em relação há 5 anos.