07 maio 2009

Voar Q200 e Q400 ao mesmo tempo

Veio recentemente nos jornais que os Pilotos da SATA enviaram uma carta ao seu Sindicato onde mostram preocupações em voar as duas versões ao mesmo tempo, isto é, tanto fazerem voos com uma ou outra versão consoante as necessidades da empresa.
Entretanto a SATA já veio dizer que não há problema.
É bem verdade que o Q200 e o Q400 partilham o mesmo type rating, mas também é verdade que muitas companhias que utilizam os dois aviões os tratam como frotas separadas.
O Q400 é um avião relativamente mais avançado que o Q200 e com uma performance superior. Durante a sua concepção foram-lhe introduzidas algumas limitações, que para alguns o impedem de ser um avião excepcional, com o intuito de manter o mesmo type rating dos Q200 e Q300. Esta foi uma decisão comercial que em muito ajudou às vendas da nova versão e foi uma das vantagens chave apontadas pela SATA na sua escolha para a renovação da frota. Mas lá porque a Bombardier conseguiu fazer aprovar o mesmo type rating para os dash 8 não quer dizer que não existam diferenças que saltam à vista nos vários modelos, basta olharmos para o cockpit:


Por isso compreende-se que os pilotos possam estar "de pé atrás" face a esta nova situação. Por outro lado, relatos de pilotos que voam em companhias onde operam mais do que uma versão dos dash 8 dizem que não há grandes dificuldades em o fazer desde que existam bons procedimentos e treinos nas diferentes versões.
Assim, seria muito estranho que a SATA não aproveitasse esta vantagem para reduzir custos operacionais, terá é que criar procedimentos que ajudem os pilotos a lidar com as duas versões sem qualquer problema. As entidades aeronáuticas de todo o mundo, ao aprovarem o type rating comum, estão a certificar que isso não põe em causa a segurança da operação. Os Açores podem ter algumas especificidades no que toca à operação de aeronaves devido à meteorologia caprichosa aliada a pistas relativamente curtas em encostas de elevações e às poucas ajudas à navegação, mas a SATA tem isso em conta no treino das suas tripulações e penso que será uma questão de tempo até se habituarem à ideia.
No entanto este continua a ser um tema que divide a comunidade aeronáutica gerando mesmo alguma polémica, é certamente mais fácil e simples operar as duas versões como frotas separadas com pilotos dedicados a cada uma das versões, mas perde-se alguma flexibilidade operacional e aumentam-se os custos. A segurança, como sempre na aviação, é que nunca pode ser posta em causa.

1 comentário:

JL disse...

Opinião e informação sensata e elucidativa. De quem sabe e por isso merece crédito. Parabéns e continua