09 setembro 2010

Ponta Delgada – Las Palmas a 218 euros.

O Diário Insular dá-nos a conhecer, num tom escandalizado, que a promoção da SATA para as Canárias a 218 euros, afinal não é para todos os Açorianos. Na verdade, estamos perante um caso que pode finalmente abrir um pouco os olhos às pessoas, no que toca aos voos e regalias que são garantidas a todos os Açorianos, através das obrigações de serviço público.
Todos querem voos mais baratos, com melhores horários, melhores ligações e mais frequências!
- Que venham as low cost!
Gritam por elas todos os dias.
Mas só o fazem porque tomam como certas as regalias que agora tem, que só existem porque os voos são realizados ao abrigo das obrigações de serviço público.
A SATA nem faz publicidade enganosa, por 218 euros pode voar de Ponta Delgada para Las Palmas, não dos Açores para as Canárias.
Por que raio é que a SATA teria de garantir o mesmo preço a partir do Corvo ou, por uma questão de igualdade entre arquipélagos, até El Hierro? A rota é PDL-LPA, querem mais do que isso? Paguem!
Ah e tal, mas e a igualdade entre os Açorianos? Nunca houve, não é agora que vai começar. Aliás, continuem a insistir na liberalização e depois queixem-se que piorou.
Enquanto continuam escandalizados, lembrem-se deste exemplo e pensem no que aconteceria se o espaço aéreo açoriano fosse liberalizado e uma low cost aparecesse a voar para S. Miguel. Ainda acham que os 100 euros pagam o voo até ao Corvo? E acham que os Micaelenses perderiam noites de sono por causa disso?

P.S. Mas a SATA é que é má. Devia ter pago o voo do Corvo a S. Miguel ao Tio Joaquim para ele ir às Canárias por 218 euros. E já que estamos nisto, ao Tio Juan de El Hierro também.

4 comentários:

Rui Medeiros disse...

Em relação a este post, porque foi escrito um bocado de modo sarcástico, deixo ainda as seguintes notas:

Os voos inter-ilhas e entre estas e o continente são realizados ao abrigo de obrigações de serviço público, com o intuito de se garantir a continuidade territorial e a mobilidade dos cidadãos. Não são exclusivas aos Açores, existindo noutras zonas remotas da Europa. Não são da responsabilidade das companhias aéreas mas sim do Governo, que concessiona as rotas com base num concurso público aberto a qualquer companhia certificada que tenha condições para garantir os voos necessários, e é renovado periodicamente.
As obrigações definem as rotas e as respectivas tarifas a serem cobradas. No nosso caso estas incluem tarifas iguais para todas as ilhas na ligação até Lisboa.
A SATA é livre de fazer qualquer outro voo que lhe apetecer. Nesses voos aplicará as tarifas que bem entender, de acordo com as regras do mercado de modo a tentar obter lucro. Não tem de garantir nada a ninguém excepto as regalias que o passageiro tem ao comprar um desses voos.
Se não há voos Flores – Canárias é porque a SATA entende que não os deve fazer. É tramado, mas não há nenhuma razão para que o governo deva subsidiar essa rota, de modo a ser incluída nas obrigações de serviço público, nem há mercado que seja apetecível à abertura dessa rota pela companhia.
Este é um pequeno exemplo das dificuldades de se implementar um espaço aéreo completamente liberalizado nos Açores. Era bom que os Srs. que só pensam nas low cost fossem tomando nota destes pormenores que afinal fazem mais diferença do que parece.
Assim, no site da SATA, só é possível comprar bilhetes para as Canárias a partir de ponta delgada. De qualquer outra ilha será necessário comprar um bilhete para PDL e outro para LPA. Funciona exactamente do mesmo modo em todo o mundo. Quer ir de X para Y mas está em Z, paga Z-X e X-Y. O nosso caso inter-ilhas e para o continente é a excepção, não a regra. Estamos mal habituados e pior, não damos valor ao que temos.
Não deixa de ser ainda interessante que o DI se lembre de comentar este caso das Canárias, falando em discriminação para com os passageiros das outras ilhas, mas não se diga nada em relação, por exemplo, aos voos para Madrid. Nesse voo, Terceirenses e Micaelenses têm direito a uma tarifa, enquanto as restantes ilhas pagam o voo até à Terceira ou ponta Delgada.
… A vida não é justa, mas não se pode ter tudo e meter um avião no ar custa dinheiro.
A verdade é que as ilhas com mais população têm melhores ligações e, consequentemente, melhores preços para praticamente todos os destinos que não são servidos por ligações directas.

Nuno Melo disse...

Boas,
Ora bem!!!!!!
Bom Post... dá imenso que falar mas, ao mesmo tempo está tudo dito!!!!!

Há já imenso tempo, num outro post, em que se discutia "merdices" entre Pico e Faial, eu mencionei que deveriamos cada vez mais centrar atenções em relação ao Triângulo "Faial, Pico, S.Jorge".

Preocupados em rivalizar cada vez mais estas duas ilhas "imãs", não reparamos o quanto PDL se centraliza no monopólio Açoreano.

E assim, PDL está cada vez menos insular ou nós cada vez mais... (e pagamos por isso)

Caramba, não podemos de certa forma criticar, pois PDL é nada mais nada menos que um HUB da Sata... É onde estão metade dos Açoreanos, logo metade dos votos...lol

Com uma politica eficaz e qualitativa de transportes maritimos; Com uma politica hoteleira em condições e, com uns campositos de golfe (que os projectos já têm "tenhas" de aranha e imenso pó, o Triângulo "Faial, Pico, S.Jorge", tem o melhor pacote/circuito de todos os Açores.

Mas, deve-se tudo principalmente, da vontade politica e de mais alguns...
Por aqui, nas 3 ilhas nem temos 40000 habitantes quanto mais 40000 votos...lol

Tenho dito
Bem hajam...
Cumprimentos
NM

Duarte G. V. disse...

Concordo não Há Publicidade Enganosa da parte da SATA e acho correcta a sua atitude nenhum estado dá as mesmas condições aos cidadãos em toda a sua geografia. Os estados tentam esbater algumas diferenças territoriais em alguns locais, duma forma mais intensa naqueles que por dimenão do mercado e isolamento tem de ser feito um maior esforço.
Agora outra verdade é que as low cost estarão precisamente interessadas em reforçar as linhas mais rentáveis e ainda com menos interesse em servir o publico do que a SATA e que vão até num primeiro tempo se lhes for permitido centrar mais a sua operação em Ponta Delgada,AGORA e muito importante: o que interessa aos Açorianos como Povo e como um todo: Ter Low Cost só a partir de Lisboa ou do Porto ou ter a partir de Ponta Delgada??
Qualquer ser inteligente Preferirá ter Low cost a partir de Ponta Delgada, o problema dos Açores é que começam outra vez as discussões do alecrim e da manjerona em que pessoas de indole duvidosa e levadas por fervores de outros tempos com inveja dos Micaelenses preferirão pagar mais e servir um pouco pior metade dos seus conterrâneos que habitam são Miguel e eles própios quando por lá passam a vê-los em melhores condições do que qualquer uma das outras ilhas.
Inteligente seria o Governo açoriano para equilibrar e negociar fazendo o seu dever de serviço Publico acenar com as ilhas do triângulo ( as menos favorecidas em termos de centralidade mas suficientemente grandes para causar atractividade) podendo esta operação centrar-se no Pico ou no Faial ou justificando-se até nas duas abrir o caminho das Low cost começando por lá com garantias que dentro de um ano ou dois daria Ponta Delgada, uma coisa é certa esses senhores da Low cost vão exigir rentabilidade e como tal já é dificil que se interessem por Ponta delgada numa base diária imaginem outro qualquer aeroporto.
Sejamos Praticos E Realistas mantendo embora um olho sempre no Sonho.

Anónimo disse...

Pelo que percebi, se alguém quiser ir para Las Palmas de outra ilhas sem ser PDL, paga esse voo.
Por ex: LPPI-LPPD
Depois LPPD-Las Palmas
A publicidade é enganosa, mas e como alguem de PDL, quiser ir ao Porto Santo, em dias que não à voos de PDL-MADEIRA, vai fazer LPPD-LPPT-LPMA-LPPS, vai pagar mais do que o dobro do que se fosse LPPD-LPMA-LPPS.
É quase a mesma coisa do que se fosse LPPI-LPPD-Las Palmas.
Abraços