27 julho 2010

Mais problemas com o ILS

O ILS para o aeroporto do Pico já dá um filme.
Depois do acidente em S. Jorge muito se discutiu sobre a segurança e operacionalidade dos nossos aeródromos, no entanto sempre se disse que um investimento num ILS não se justificava numa infraestrutura como a do Pico. Entretanto aumentou-se a pista e, para minha surpresa, anuncia-se a instalação de um ILS no Pico.
O que é que mudou? Quem é que o recomendou? Não o sei, mas sei que lá pediram um estudo à NAV que confirmou a possibilidade de se instalar um destes equipamentos no nosso aeroporto.
No entanto foi necessário fazer uma movimentação de terras para que tal instalação fosse possível. Essa movimentação custou cerca de 1,5 milhões de euros. Depois veio a aquisição do próprio sistema, mais 1,1 milhões de euros, só que afinal houve um engano. O ILS adquirido não podia ser montado no espaço terraplanado... O que é que se passou? Fizeram uma movimentação de terras com base nas especificações de um sistema, compraram outro para ser mais barato mas que afinal precisa de mais espaço limpo? Enganaram-se nas dimensões das áreas livres de obstáculos que mandaram limpar? De qualquer formam deviam rolar cabeças, é que este erro vai-nos custar mais 1,9 milhões para a segunda movimentação de terras, para a qual foi aberto concurso público em Junho.
Mas a história ainda não acabou, depois de tanta trapalhada, ainda se dá espaço para que apareçam "listas de erros e omissões do caderno de encargos" que obrigam à suspensão do prazo para apresentação de propostas.
Mas as cabeças continuam em cima dos pescoços, até porque o "Governo já procedeu à aquisição de todo o equipamento necessário, estando o início da obra dependente apenas da resolução de uma questão levantada por um dos concorrentes à adjudicação."

A boa notícia é que eventualmente vamos ter um ILS no Pico. Quer dizer, até já temos, dentro de uns caixotes. E que sina esta dos ILS's e os caixotes em Portugal, os de Faro e Ponta Delgada também têm umas histórias engraçadas.
A má notícia... Bem que se podia ter sido mais arrojado, apostando em aproximações RNAV de última geração que podem ser desenvolvidas sobre diferentes bases, quase todas elas com potencialidades de servir mais do que aeródromo. ...e não sei se mais 3,5 milhões de euros em pista não faziam maior diferença na operacionalidade dos A320 no Pico que 3,5 milhões num ILS que se chegou a anunciar por pouco mais de 1 milhão.

11 comentários:

Manuel Ferreira disse...

Lá diz o velho ditado: "Mais vale quem quer do que quem pode!"

Anónimo disse...

Tanto desperdicio de dinheiro...

Manuel Ferreira disse...

O desperdício de dinheiro depende do ponto de vista. Se o dinheiro for bem gasto e com vista a criar riqueza, nunca será um desperdício. Antes pelo contrário. Chamem-lhe outra coisa qualquer como, por exemplo, extravagância, Desperdício, nunca!

Anónimo disse...

Pois naquilo que é importante como criar riqueza com postos de trabalho, condições para a fixação dos jovens... etc, para uma ilha que em todos os estudos e relatorios é apontada como a mais envelhecida, ai nada de mais...

Pedro Alves disse...

Acho curiosas as discussões que se geram neste blogue, especialmente entre os naturais das diferentes ilhas. Faz lembrar aquela anedota dos ciganos e do Mercedes.

Todas as discussões partem dum pressuposto, a meu ver com os dias contados, do chamado serviço público (TAP e SATA). Eu como continental, nascido e criado, acho absolutamente escandaloso que haja um voo directo regular para o Pico ou até mesmo para o Faial! Principalmente por não ser economicamente viável (no caso do Pico, com certeza), os aspectos técnicos vêem a seguir.

Do meu ponto de vista a solução mais inteligente era criar um hub numa das ilhas, se possível na Terceira (integrado com Pta Delgada) ou caso contrario Pta Delgada integrado com Sta Maria. E as rotas totalmente liberalizadas, como é óbvio. A situação actual só cria despesa e ineficiência.

Cumprimentos,

Pedro Alves
Continental, ilha favorita Pico, ilha menos favorita Terceira.

Anónimo disse...

E ainda dizem que não há bruxas!?

Manuel Ferreira disse...

Há bruxas. adivinhos e ... mentes brilhantes! Falou e disse, tirou o chapéu e foi-se.

Joao disse...

Ilha favorita e ilha menos favorita?
Pois cá está... é que nas ligações aéreas para os Açores não pode haver ilha mais favorita e ilha menos favorita. tem de haver uma estratégia de racionalidade e eficiencia, mas talvez essa não passe por deixar o triangulo sem ligaçoes directas ao continente.

Isto de vir mandar umas postas de pescada do tipo - "Eu como continental, nascido e criado, acho absolutamente escandaloso que haja um voo directo regular para o Pico ou até mesmo para o Faial!" - tem muito que se lhe diga... como se os continentais tivessem muito conhecimento do que se passa nas ilhas, e qual o seu modelo economico. Primeiro é preciso se informar, depois é que pode dizer se as ligaçoes Triangulo - continente sao viaveis ou nao...

Pedro Alves disse...

Caro João,

Venho aqui de quando em vez há algum tempo, obviamente não passo aqui a vida, tenho mais que fazer.

Em segundo lugar isso da ilha favorita e menos favorita, caso seja um insular orgulhoso, devia enche-lo de satisfação, efectivamente adoro os Açores, é um sitio óptimo para passar férias.

Em terceiro lugar que o facto de ter dito que sou continental não foi com intenção de passar a ideia de superior ou algo do género, a ideia foi simplesmente demonstrar total imparcialidade.

No entanto reafirmo a minha opinião como técnico (eng.) de que poderá não haver condições económicas e até mesmo de operacionalidade para o modelo que alegadamente parece haver vontade de implementar, um modelo em que se prevêem condições para a operação de aviões de médio curso em populações que não excedem os 15000 habitantes...

Cumprimentos

Mariana disse...

Vai-me desculpar Sr. Engenheiro, mas não há condições operacionais e económicas para se operar aviões de médio curso para o Faial?
E isso é de agora, quando há 2 voos diários no verão, ou já vêm desde à mais de 20 anos quando começou a operação?

Pedro Alves disse...

Mariana,

O senhor está no céu e o engenheiro é dispensável.

Sabe dizer-me qual foi a taxa de ocupação dos voos da TAP para o Faial? A percentagem de voos cancelados? Eu não tenho os dados, por isso limito-me a ter dúvidas.