30 junho 2010

Greve do SNPVAC na SATA

A SATA Air Açores já publicou uma informação oficial que confirma a greve marcada para os dias 2 a 5 de Julho pela tripulação de cabine.
Os voos para esses dias foram todos cancelados, tendo sido programados outros voos para cumprir com os serviços mínimos definidos pelo Tribunal Arbitral. Assim vamos ter voos do género PDL-TER-GRW-SJZ-TER-SMA-PDL duarnte estes 4 dias.
No entanto, é interessante notar que nesses 4 dias, todas as ilhas com excepção do Corvo e Pico têm direito ao mínimo de 1 toque diário. Como o Corvo não tem voos de horário ao Sábado e Domingo, é fácil perceber que no meio de todas as complicações que esta greve vai trazer, o Pico ainda é mais discriminado, sendo a única ilha que fica sem voos Sexta e Segunda.
Gostava que alguém me desse uma explicação para esta situação. Sim, porque não acredito que o Pico tenha ficado outra vez de fora por sorte. Tem de haver uma razão, o tribunal Arbitral não tomará as suas decisões ao acaso.
Ponho-me a pensar e só me vem uma razão à mente, estamos tão perto do Faial que podemos sempre nos safar por lá se acontecer alguma situação urgente. Ainda bem que assim é, mas por que raio é que esta nossa proximidade à de tender sempre a nos prejudicar quando podia e devia ser o contrário?
Mas posso não estar a ver "the big picture", por isso fico à espera que me expliquem mais esta história...

28 junho 2010

Governo no Pico

O Governo está no Pico. Já inaugurou o armazém para o material de placa do aeroporto, mas o seu discurso pareceu-me muito distante em relação ao que mais nos afecta, as ligações que o aeroporto oferece.
Em tempo de revisão das obrigações do concurso público, só se fala das tarifas a 100 euros. Não se fazer nenhuma referência a mudanças nas obrigações relacionadas com o Pico é sinal de que não as há. Serão mais três anos com 1 voo semanal...
Falemos então dos 100 euros. Continuarão a não ser suficientes para a maior parte do público que ainda não compreendeu que os lugares disponíveis nessas tarifas terão sempre quer ser limitados. Para outros tantos, a comparação desses 100 euros com os 100 que se gastam nos voos inter-ilhas promete trazer outra dor de cabeça ao Governo: Ou encontram justificação infalível para a situação ou lá vão ter que baixar também as tarifas promocionais dos voos inter-ilhas. Inclino-me mais para a segunda, mas alguém vai ter de continuar a pagar para se fazer esses voos...

Ficámos a saber que o ILS também já está no Pico, mas está encaixotado porque falta fazer a tal segunda terraplanagem que finalmente permitirá a sua instalação. Quem é que não fez bem as contas da primeira vez? Mas não faz mal, porque agora, assim que estiver pronta a terraplanagem, que ainda não foi adjudicada, o ILS é logo instalado! Ok... Será que a omissão do necessário período de testes até que tudo fique operacional foi intencional? Vamos a apostas, eu ponho o meu dinheiro em 2012.
Mas pelo menos o combustível é já para Novembro! Ah, espera, a conclusão da obra do parque de combustíveis é para Novembro... Ninguém falou de abastecimentos a aeronaves. Ok, Verão de 2011? Não seria mau ver um TAP fazer um voo directo por essa altura, será que vai ser dessa?
Bem, teremos armazém de carga este ano, já não é nada mal!
Aliás, convém dizer também que estamos a ficar com um óptimo aeroporto, só que é devagarinho, chove dentro da aerogare, a pista é curta... Pronto, desculpem, lá ia outra vez na direcção errada. Óptimo aeroporto... para o futuro, tal como a Ilha.

18 junho 2010

Novas rotas

A SATA iniciou hoje os seus voos de Ponta Delgada para Faro, via Funchal, que já tinham sido anunciados quando chegaram os Q400. Achei interessante uma frase que transcrevo do press release que a companhia emitiu para publicitar o primeiro voo desta nova rota:
"Para tal, a oferta da frequência bi-semanal é fundamental para a criação e fortalecimento desta rota."
Não é que esta frase nos venha ensinar algo de novo, mas é interessante saber que a SATA sabe que apenas uma frequência semanal não serve para a criação e fortalecimento de novas rotas...

07 junho 2010

Meter um avião no ar custa dinheiro.

Os preços das viagens de avião para os Açores e inter-ilhas sempre geraram muitas críticas. Enquanto muitas dessas críticas têm a sua razão de ser, eu próprio nunca achei as passagens baratas, e algumas até são bem fundamentadas, a verdade é que a maior parte das vezes que ouço falar no assunto, deparo-me com um total distanciamento do que de facto está por de trás dos preços praticados pelas companhias aéreas, para assistir a uma comparação absurda com preços promocionais praticados por outras companhias, em rotas que se dizem equiparáveis em distância com as nossas, mas ignorando uma dinâmica completamente diferente da nossa realidade e comparando entre tipos de tarifas diferentes. É uma comparação entre alhos e bugalhos em que só se mostra o que dá jeito para moldar a ideia que as pessoas têm sobre o assunto. E não é difícil, ninguém quer pagar mais do que o estritamente necessário para usufruir de qualquer serviço.

Eu próprio cheguei a pensar que a nossa situação era realmente muito má e totalmente diferente do que se passa no resto da Europa, tal é a desinformação que se publica em redor deste tema.
De qualquer forma é sempre difícil dizer a alguém que sempre teve direito a estadias em caso de cancelamento do seu voo por meteorologia adversa, a levar bagagem de porão e alterar os seus voos sem taxas adicionais, entre outras, que isso são serviços extra que se pagam bem caro nas tais companhias com as tais tarifas promocionais de arregalar o olho.

Mas, recentemente, tive a sorte de me deslocar em trabalho a Munique, via Lisboa e Frankfurt, e agora posso dizer que o voo Frankfurt - Munique - Frankfurt, que cobre uma distância de 162 milhas náuticas, custa 188 euros, e o Lisboa - Frankfurt - Lisboa 394 euros, para uma distância de 1012 milhas náuticas. Posso então comparar estes preços com os 170 euros para fazer Ponta Delgada – Flores – Ponta delgada, que são 274 milhas, ou com os 341 euros de um Lisboa – Horta – Lisboa que são 919 milhas náuticas. Isto são preços de bilhetes sem restrições, de não residente. Os Açorianos ainda têm tarifas sem restrição mais baixas que as que utilizei na comparação...

Esta comparação é tão ou mais válida que as tais que tanto nos moldam a mente, com as tarifas promocionais das low cost que nos fazem gritar por melhores preços, embora se deva manter em conta a existência de outros tipos de tarifas e o facto de estarmos a utilizar um caso pontual para a comparação, coisas a que ninguém liga quando é para reclamar…
Não quero com isto dizer que não se deva reclamar melhorias, aliás já foram anunciados bilhetes a 100 euros para o Continente, e, sem necessidade de se entrar pela da confusão com que se quis envolver esse anúncio, está-se mesmo a ver que esses valores aplicar-se-ão às tarifas promocionais disponíveis para lugares limitados, até porque já tem sido discutido que uma das coisas a mudar nas actuais obrigações de serviço público, é a obrigação de uma tarifa mínima, que se pretende abolir, dando liberdade às companhias para estipularem os seus preços mais baixos, possibilitando melhores promoções e flexibilidade dos seus planos de tarifas. Assim, cada vez nos aproximamos mais dos tais preços promocionais que fazem salivar muita gente, mantendo os bons preços que já nos são oferecidos nas tarifas que incluem outras regalias e direitos, que muitos tomam por garantidos mas que convém acautelar ao abrigo das obrigações de serviço público, que nos bastidores nos continuam a proteger sem que ninguém lhes dê o devido valor. Até ao dia em que desapareçam e comecem a gritar aqui del rei!