29 janeiro 2010

Estado da Região, transporte aéreo.

A RTP Açores emitiu ontem o programa Estado da Região que se debruçou sobre os transportes aéreos para os Açores.
Como seria de esperar o debate centrou-se nos preços que os Açorianos pagam por uma viagem ao continente Português. Mais uma vez fica a ideia que muita gente só fala no preço mais baixo que é praticado por low costs para outros destinos, sem perceber o que está por detrás dessas tarifas e que são sempre referentes a um número de lugares limitado. Sobre isso gostei especialmente do último mail que foi lido, onde se fazia uma comparação interessante: junte-se ao preço do bilhete que se vê nas publicidades para a Madeira (aplicável a outros destinos low cost) os 22 euros que se cobra por cada bagagem de porão mais os 12 euros de embarque prioritário, para ter uma hipótese de escolher o seu lugar, e já estamos a falar de valores equiparáveis às tarifas promocionais para os Açores. Pode-se dizer que estes últimos 12 euros são supérfluos, mas há outros custos extra que não o são. Muito poucos açorianos voam sem bagagem de porão, e não são poucos os que levam mais do que uma, que também terá de ser paga... Ou até imaginem que não reservam bagagem de porão mas, à última da hora, é preciso leva-la, são logo mais 44 euros...
Estes são só alguns exemplos do que esperar dos serviços low cost. Não estou a dizer que são maus, são o que são e os preços estão bem explícitos nos seus sites, mas pelo que tenho visto, o que as pessoas querem é preços de saldo mas com todas as regalias a que estão habituados. Isso simplesmente não é possível.
Resumindo, é caro voar para os Açores, mas as pessoas também não têm a noção dos direitos que lhes são concedidos neste modelo. E penso que ficou claro que ninguém defende a liberalização dos voos para os Açores, quer por se sentir a necessidade de garantir pelo menos parte dessas regalias que tomamos por garantidas, quer por causa da pluralidade dos Açores que impedem que num ambiente liberalizado todos os Açorianos tivessem direito às mesmas tarifas.
Ficou certo também que é necessário mudar o actual modelo para permitir tarifas mais baratas. Neste campo achei interessante uma proposta que foi feita: Separar o transporte de carga do de passageiros.
A ideia em teoria é boa, mas é um bom exemplo de como é difícil conciliar as coisas. Passo a expor o meu ponto de vista, se existissem obrigações de serviço público de passageiros e de carga separadas, é possível que se diminuíssem os custos da operação de passageiros, por via da diminuição da capacidade da carga das aeronaves, possibilitando uma melhor gestão de frota. Essas poupanças poderiam ser então passadas para o preço do bilhete. Mas depois para a carga teria que vir outro avião. E esse voo continuaria a precisar de subsidio para existir. Lá teríamos todos que pagar esses voos, indirectamente, através dos impostos. Será que no fim de contas, fazer 2 voos diferenciados em vez de 1 saía mais barato? Além disso, a carga é um complemento às recitas das SATA e da TAP nas rotas para os Açores, não vejo que estejam dispostas a abdicar do seu transporte. Se estas duas companhias continuassem a escoar carga, será que continuaria a haver uma quantidade mínima para justificar os voos cargueiros?
Penso que por aqui se pode ficar com uma ideia da grande complexidade deste assunto. Todos queremos pagar menos, mas devemos ter a noção das dificuldades que existem nestes voos e perceber que o que temos não é assim tão mau como se vai dizendo por aí. Queremos melhor sim senhor, mas é preciso valorizar o que já temos.

28 janeiro 2010

Q200 em acção nas Flores

As Flores dão sempre uns vídeos interessantes em dias mais ventosos! Os Spotters Florentinos lá nos vão presenteando com imagens como estas:




27 janeiro 2010

Evolução do tráfego no Aeroporto do Pico II

Já estão disponíveis as estatísticas referentes ao tráfego aéreo no ano de 2009 no site do serviço regional de estatística.
Num ano em que o número total de passageiros nos Açores desceu 2,16% o aeroporto do Pico manteve uma tendência de subida, com mais 2,68% passageiros em relação a 2008. Este aumento foi suportado pelo crescimento de 35,1% no número de passageiros embarcados e desembarcados no voo para Lisboa, já que o tráfego inter-ilhas, que representa 79,5% do tráfego deste aeroporto, caiu 2,08%.
A evolução desde 2003 está representada no gráfico abaixo.


Em termos absolutos, passaram pelo aeroporto do Pico 59504 passageiros, 2235 deles em trânsito.

Muito foi dito sobre a "teimosia" dos Picarotos quando tentávamos mudar o voo da TAP para um dia mais propício a um melhor serviço e, por conseguinte, a uma melhor ocupação. Muito gozo se fez à nossa custa nessa altura. Agora já podemos falar com números, 2009 foi o primeiro ano em que a ligação se manteve ao Sábado (A mudança foi em Novembro de 2008). Este aumento de 35% não pode ser coincidência. E vem mostrar que estávamos certos quando muitos nos diziam que mudar o voo não traria mais passageiros. Pois está aqui também a prova que se está a lidar com uma realidade diferente que precisa ser encarada de forma diferente. Agora o gozo continua quando falamos de mais 1 voo. Veremos se conseguimos calar esses também...

26 janeiro 2010

Cerimónia do 1º Q400


Já temos uma chave, o avião não deve tardar!

17 janeiro 2010

CS-TRD


Já circula pela net, e foi primeira página no Açoriano Oriental a foto do novo DASH 8-Q402 na fábrica da Bombardier. O CS-TRD fez o seu primeiro voo dia 14 e está para breve a sua entrega à SATA Air Açores. Antes do início do Verão IATA já devem estar as 4 aeronaves encomendadas nos Açores.

15 janeiro 2010

Jet A1 mais próximo

Obrigado Paulo pela chamada de atenção a esta notícia, que anuncia novos desenvolvimentos na novela que tem sido a disponibilização de combustível para aeronaves no aeroporto do Pico.
Afinal as culpas do grande atraso neste processo foram atribuídas à necessidade de cumprir normas internacionais. Pelo que se pode perceber será necessário construir um parque de armazenamento no aeroporto, cujas as obras se iniciarão em Fevereiro.
Estou um pouco fora do assunto, não conheço as normas a que se referem mas fica uma questão por esclarecer, será que estas normas são novidade?
Entretanto, espero que agora não apareçam mais problemas, mas sinceramente não estou muito esperançado que assim seja... E com obras a começar em Fevereiro desconfio que já podemos contar com mais um verão sem combustível... Espero estar enganado.

13 janeiro 2010

Taxas aeroportuárias

Foi hoje notícia a redução das taxas aeroportuárias nos aeroportos geridos pela SATA, sob concessão do Governo Regional. Na prática deixam de pagar as taxas de serviços a passageiros todos os que fizerem transferência em menos de 24 horas nestes aeroportos. Esta é uma boa noticia para todos os que voem para o Pico via Terceira.
A nova legislação que o permite pode ser consultada aqui.

11 janeiro 2010

A petição pelos voos low cost

Há por aí umas petições interessantes, mas cada vez mais vão perdendo a força, quer pela sua banalização na Internet, quer pela sua utilização na defesa causas sem pés nem cabeça.
Não é exactamente esse o caso com a que agora circula a pedir voos low cost para os Açores, ou melhor dizendo, para S. Miguel, mas não deixa de ser, na minha opinião, uma petição que surgiu sem muita ponderação sobre o assunto.
Começou tudo de novo com as declarações da câmara de comercio de Ponta Delgada, que nos alarmam com um valor astronómico de 70% do sector turístico em causa pela falta destes voos. Os tempos são de dificuldade, mas se tão grande percentagem de investimento está em risco a culpa não é da falta de voos mas de quem investiu muito para além do que qualquer estudo de viabilidade económica possa ter recomendado. Esses voos nunca existiram, não me podem vir dizer que 70% do investimento feito em turismo foi feito a pensar neles.
E depois ainda dizem que "[O modelo actual está] formatado em função do consumo interno, da conveniência dos residentes viajantes, o que anula por completo a competitividade do destino turístico Açores." Como se isso fosse uma coisa má! Sim, que venham os turistas de pé descalço passar um fim de semana às ilhas ao preço da chuva e os residentes que se lixem quando precisarem dos serviços de uma companhia aérea. Na minha opinião, não se deve promover os Açores como um destino barato de massas, que se aposte na qualidade como justificativo do preço.
No meio de tudo isto, parece que se ignora o que implicam as obrigações de serviço público agora em vigor. Claro está que poderão e deverão ser continuamente melhoradas, mas já como estão, são o garante de tarifas de residente razoáveis durante todo o ano, para todos os açorianos em qualquer situação. Não esquecer, também, a disponibilidade para o transporte de carga, que é obrigatória e que muito contribui para a eficiente exportação dos nossos produtos, com especial relevância para o sector das pescas, que é também um grande pilar da nossa economia.
A filosofia low cost não garante nada disto, os primeiros arranjam bons preços, os outros que se amanhem. A filosofia low cost só funciona com grandes densidades. Gostam muito de comparar os Açores com a Madeira... Então cá vai. Hoje saíram 14 voos da Madeira para o Continente Português, apenas dois deles operados por uma low cost. E de São Miguel? Pois, foram 3... Acham que alguma low cost quer vir para aqui? De Verão... Talvez, mas tirem o sustento da rota à SATA/TAP e depois venham mendigar pelos voos de Inverno... Comer da carne limpa todos queremos, lixado são mesmo os ossos... E estamos a falar só de S. Miguel neste exemplo. Mais uma vez fica esquecido que os Açores são 9 ilhas, o que dificulta bastante a situação.
Penso que vale a pena referir ainda mais um pormenor do modelo em vigor, qualquer companhia aérea pode voar para os Açores! Basta concorrer no concurso internacional que é feito de 3 em 3 anos. Não gostam das condições? Paciência, servir os Açores implica servir 100% da população, e 45.5% destes não vivem em S. Miguel.
Digam o que disserem, os preços para se voar para os Açores estão muito melhores do que estavam, não são baratos mas lá vão melhorando. E com low cost criam-se mais problemas do que se resolvem. Os preços bonitos que se vêm nas publicidades são só as tarifas mais baixas disponíveis para lugares limitados. Em termos médios deixam de ser tão convidativos, e acredito que, no nosso meio, os inconvenientes ultrapassariam os benefícios que alguns possam vir a usufruir.
É preciso ter em atenção a dificuldade de conciliar todas as vertentes do transporte aéreo na região. À que caminhar no sentido de uma melhoria constante, acredito que as low cost não são a nossa solução. Não somos uma excepção na Europa, muitos outros lugares periféricos têm os seus transportes assegurados por obrigações de serviço público. Não é este o nosso Papão, aliás, como as coisas estão, só assim se garante a continuidade do nosso território e as low cost não são a nossa salvação. Gostava de saber dizer como resolver este assunto, não o sei, mas estou convicto que, neste momento, estamos melhor sem low costs.

04 janeiro 2010

A foto que eu queria!


ATP Takeoff at night
Originally uploaded by JMelo

Já está feita! Não aponto muitos defeitos à minha máquina, mas só conseguir fazer exposições de 15 segundos é um deles. Grande foto Zé! Podem ver mais do mesmo dia aqui.