17 dezembro 2006

Luzes fantasma

Com a chegada do Natal chegaram também as viagens dos estudantes para passarem a quadra com as suas famílias, mas desta vez um sistema frontal com depressão associada decidiu complicar os nossos planos.
No sábado dia 16 de Dezembro, cancelaram 2 dos 3 voos Lisboa - Horta e um Ponta Delgada - Pico por razões meteorológicas, mas o que me leva a escrever estas linhas foi o outro cancelamento do voo Terceira - Pico que se deu por outros motivos mais difíceis de esclarecer.
A minha viagem começou em Lisboa, onde apanhei o voo S4121 com destino a Ponta Delgada. Embarcamos dentro do horário, mas quando chegamos ao avião foi-nos informado que um problema com as bagagens no aeroporto atrasaria a nossa saída, e acabámos por sair 1 hora e 30 minutos depois do horário previsto, e mesmo assim com falta de algumas bagagens, incluindo a minha. Já estava a ver que ia perder a ligação ao Pico, mas esse voo atrasou também cerca de 1 hora e meia enquanto esperava melhoria na visibilidade, e assim não tive problemas em chegar a tempo.
Uma vez embarcados no ATP e com os motores já em marcha, eis que surge uma pequena avaria que obrigou à mudança de uma peça, e lá tivemos que voltar ao terminal por mais uns 15 minutos. Mas a espera ainda não tinha acabado, pois um passageiro com destino Terceira só apareceu passados outros 15 minutos enquanto todos os outros esperavam por ele no autocarro. Embarcamos de novo e saímos para a Terceira, pois o voo SP472 faz lá escala.
Até aqui tudo bem pois os atrasos verificados por causa da meteorologia, avarias e passageiros que têm a mania que são os maiores e os outros todos que esperem por eles, são coisas de força maior que não são fáceis de remediar.
Ao chegar à Terceira saímos mais uma vez do avião e já se ouviam rumores de que não íamos ao Pico, mas no fim de contas lá nos chamaram para o embarque passados apenas 5 minutos. Mais uma vez embarcamos mas após a contagem dos passageiros verificou-se que faltavam 12, retidos algures na aerogare, pois apesar de o voo estar bastante atrasado, a chamada de embarque só foi feita tardiamente já depois de estarmos no chão. E com isto tudo estava quase de noite e, pasme-se, a pista do Pico não tem luzes, toca portanto a desembarcar outra vez, e agora já sabendo que teríamos de passar a noite na Terceira.
Pois é, a pista do Pico não tem luzes… Elas de facto estão lá, e funcionam, mas no papel não existem porque o INAC ainda não as certificou e sabe-se lá para quando o vai fazer. Assim legalmente não se pode vir ao Pico depois do por do sol! Mas que grande investimento este no sistema luminoso de última geração!
Numa situação idêntica está as Flores, que também tem luzes não certificadas pelo INAC, situação que já foi alvo de criticas do Governo Regional à ANA, por esta não ter ainda pedido o seu processo de certificação. E o que dizer do caso do Pico? As luzes já existem há bastante tempo, o aeroporto é do Governo Regional, concessionado à SATA Gestão de Aeródromos, porque é que as luzes ainda não estão certificadas?
Mas a nossa aventura ainda não tinha acabado! Após uma noite com tudo pago na Terceira chegamos ao aeroporto para descobrir que os nomes dos passageiros que estavam em trânsito de S. Miguel no dia anterior não constam da lista de passageiros para o voo extraordinário e ficamos em lista de espera. Após mais um atraso de uma hora só nos aceitam nos últimos minutos, e mesmo assim não a todos. Ainda ficaram alguns atrás, talvez esperando as operações conseguir acomodá-los no voo das 15. O problema é que com o tempo ainda pouco famoso os atrasos vão-se acumulando, e quando o avião que faria esse voo chegou à Terceira já era mais uma vez tarde de mais para chegar ao Pico antes do por do sol e o voo foi cancelado. O transtorno para os passageiros é enorme, e os custos para a SATA também não são desprezáveis. O que aconteceu este fim de semana não é um caso pontual, no Inverno o mau tempo é frequente e os dias curtos, então porquê o atraso na certificação das luzes?

04 dezembro 2006

Aerogare só estará pronta em 2007

Depois de após o último atraso estar prevista a inauguração da aerogare do aeroporto do Pico para Novembro passado, eis que sai a notícia que afinal é só para 2007 a sua conclusão.
Não é que uma pessoa queira apenas criticar, mas a verdade é que as obras de ampliação do aeroporto do Pico já começaram à mais de 4 anos no Outono de 2002, o que me parece exagerado para uma obra desta dimensão. As coisas vão-se fazendo, mas a muito custo, parece que cada passo tem de ser arrancado a ferros, como exemplo recente basta falar mais uma vez da falta de voos extraordinários para o Pico neste Natal. Até parece que não nos levam muito a sério.
O único grande feito aqui será a instalação do ILS, essa sim uma obra que não é estritamente necessária, mas é um bónus que vem melhorar a operacionalidade do nosso aeroporto, e será o sinal que afinal de contas nos levam a sério, só é pena não o demonstrarem em tudo o resto.