11 outubro 2006

"Casa roubada, trancas à porta"

Foi preciso morrer uma turista durante uma subida ao Pico para se começar a mexer nas leis que vão regular a subida à montanha. E parece que vão por as culpas todas na falta de guia, ou pelo menos parece ser esse o tom quando dizem que vão acabar com os chamados guias não oficiais. E porque não culpar que lá colocou os marcos novos de plástico? É que da última vez que subi a montanha este verão não vi nenhum destes novos marcos na sua posição original, pior do que isso, muitos deles, por terem caído de onde estavam até nos indicam caminhos errados, e se queremos estar seguros do caminho temos de nos guiar pelos poucos velhos que ainda estão de pé. Porque é que não se restaurou os marcos antigos quando pensaram em colocar estes novos? Provavelmente dava muito mais trabalho e ficaria mais caro, mas será que se tivesse sido essa a opção, esta infeliz turista teria perdido a vida?
Em dias de bom tempo a subida ao Pico não tem nada de especial em termos de perigosidade do percurso, muitos dos turistas que nos visitam e querem subir a montanha já fizeram muitas caminhadas em locais muito mais remotos e perigosos que o Pico, e ter de pagar balúrdios a guias é um bocado contra censo nesta situação. O mesmo se aplica a Picarotos que já subiram bastante vezes a montanha.
Com mau tempo a coisa já é diferente, e com os marcos da maneira que estão pode ser mesmo difícil manter-se no trilho, mas também não é uma enorme dificuldade para quem já fez umas boas subidas e conhece os trilhos. De qualquer forma o que se diz por agora é que quem quiser subir sem guia poderá faze-lo, desde que assine um termo de responsabilidade. Interessa aqui também saber se Picarotos com algumas subidas podem levar os seus amigos de fora a subir a montanha de modo a que estes não tenham também de pagar guias. Que não fique aqui a ideia que sou contra os guias, mas de facto acho-os caros, especialmente para que é estudante por exemplo, e volto a dizer fazem todo o sentido pelas explicações que podem ir dando durante a subida e pelo seu conhecimento da subida em si, mas seria mau tratar toda a gente por igual e obrigar o João Garcia a pagar um guia do Pico!
Quanto à proposta de se limitar o numero de pessoas que sobem por dia, podia ver vantagens ambientais nisso, se o Pico de facto fosse assim tão concorrido, do modo que estamos, desde que não seja preciso começar a fazer reservas para subir a montanha em vez de se subir nos dias em que realmente o tempo está bom, não acho que seja uma medida ridícula.

1 comentário:

Anónimo disse...

Concordo plenamente com este post. É ridiculo que pela incúria dos bombeiros agora os próprios picarotos tenha de pagar para subir ao Pico. Eu subi o Pico uma vez. Subi ás 2 da manhã, vi um nascer do sol espantoso, e desci logo depois.Será que se eu quiser repetir esta experiência, ou mostrar um nascer do sol ás minhas filhas, vou ter que pagar horas extraódinárias e subsidio por trabalho noturno? será que vão fazer um muro ou uma cerca de arame farpado para proibir as pessoas de ir a um lugar que pertence a todos? Quem é que inventou esta históia de registar as pessoas á subida para a montanha? Não se lembraram que se alguém descesse mais cedo ou fora do horário de serviço, não podia ser (des)registado?
Que mania é esta de regulamentar tudo? Qualquer dia vão regulamentar quantas vezes se pode ir ao quarto-de-banho, e quais os procedimentos a tomar antes, durante e depois.
Santa paciência!
Com tanto que há para fazer só pensam em dificultar a vida ás pessoas? A sra. era adulta e já tinha viajado muito pelo mundo, tomou a decisão de subir e subiu.As coisas não correram bem a natureza é assim. Se ela tivesse decidido se deitar ao mar, e nadar até aos ilhéus e alguém tivesse dito que era perigoso mas mesmo assim ela tivesse ido, tivesse ficado cansada a meio e morrido. Faziasse o quê? Era a vida!! Só que para uma pessoa se deitar ao mar ainda não se fazem registos ,logo não é preciso andar á procura de culpados nem arranjar mais papelada se alguém for inconsciente e ou, irresponsavel.