22 dezembro 2005

Uma Terça feira diferente

(...) - Então o que é que querem fazer?
- Épá queriamos subir o Pico.
- Mas não é pa ir ver a TAP?
- Sim, não dá para subir depois?
- Assim vamos descer de noite.
- Não faz mal vamos mesmo assim.

O resultado:

19 dezembro 2005

Spotting no Faial


Já chegei! E como não podia deixar de ser a primeira coisa a fazer é fotografar o primeiro avião que por cá passa, heheh! E como no domingo foram 3 voos da TAP ao Faial, não tinha mais que fazer do que uma visita à minha tia, e aproveitar para ver o barco encalhado ( aquilo agora é a maior atração turistica do Faial) bem como fazer algum spoting na ilha vizinha. Ficam aqui mais umas fotos de aviões, desta vez na Horta.




10 dezembro 2005

Outra direcção?

“A sata não passou hoje outra vez no Pico. No lugar de terem aumentado a pista deviam ter mudado a sua direcção devido aos ventos do quadrante sul.”

Não, não passou, e vai continuar a não passar sempre que o vento esteja do quadrante sul com mais de 20 nós.
Mas se fosse construída uma outra pista com uma diferente direcção na mesma zona em que a actual está, além de ficar com grandes restrições à operação por causa de obstáculos, porque o terreno sobe para sul, assim que o vento estivesse de sul com 20 nós a SATA cancelava na mesma. Isto porque os cancelamentos ao Pico devem-se à turbulência orográfica que aparece por causa da resistência que a ilha oferece à sua passagem, quando o vento se apresenta de sul estes vórtices aparecem em toda a costa norte da ilha, e como já devem ter reparado, nestas condições o vento não está estável, tanto em velocidade como em direcção. Assim os aviões cancelam ao Pico não porque estão 20 nós de vento, mas porque quando ventos dessa magnitude estão presentes, existem sempre rajadas fortes e variações na sua direcção, o que é conhecido na aviação como windshear que é bastante perigoso e já foi um factor importante em muitos acidentes ocorridos na fase de aproximação e aterragem. Assim, embora teoricamente uma pista virada ao vento permita uma operação com ventos de maior intensidade do que com ventos cruzados, tal não se aplicaria numa pista virada a sul naquele local, porque o problema é o windshear, que estará sempre presente. O limite operacional de vento cruzado para os ATP's é de cerca de 36 nós, esse limite é o mesmo em todo o lado, o problema é que em pistas como o Pico, Flores e S. Jorge, assim que o vento excede uns 15 nós no lado oposto da ilha, na zona do aeroporto faz-se sentir com maior intensidade, mas pior do que isso com irregularidades na sua direcção e força, e são esses factores que limitam a operação nestas pistas. Se um dia estiverem 30 nós estáveis, de sul, na zona do aeroporto, o avião não cancela, mas isso é praticamente impossível, porque o ar como fluido que é não se comporta de modos diferentes de dia para dia, e a turbulência e variações vão lá estar. Podem então perguntar então porque é que quando o vento está alinhado com a pista os aviões vem com mais vento? Basta olharem para ver que quando o vento está alinhado com a pista não tem que passar por cima da ilha para lá chegar e portanto não se geram os tais vórtices, e os aviões podem operar até aos seus limites operacionais, que quando sem restrições adicionais, são mais altos para ventos na mesma direcção que a pista. Se a pista é virada a sul mas tem no seu enfiamento a montanha, o windshear vai estar presente na mesma.
Assim numa ilha como o Pico, um aeroporto vai ter sempre um vento limitativo seja onde for, e deste modo o melhor a fazer seria construir o aeroporto de modo a que o vento que o limita seja o menos frequente, e de preferência alinhado com os ventos mais frequentes. Então para que o aeroporto do Pico deixasse de ter tantas limitações era preciso mais do que mudar a direcção das suas pistas, mudar a sua localização, e o local mais óbvio para a sua construção seria a zona do verdelho da Criação Velha, que é desde logo uma hipótese posta de parte, ou então na zona dos Toledos, que também teria os seus contras. Já foi difícil conseguir a ampliação, quanto mais construir um novo aeroporto de raiz, claro que concordo que foi uma obra que nasceu torta, mas a partir do momento em que começaram a sua construção naquele local podemos esquecer uma mudança, e assim sendo esqueçam também a mudança de direcção da pista, porque no local actual não melhorará as condições de operacionalidade. É o aeroporto que temos, podia ser melhor se estivesse noutro local, mas agora é tarde demais. A nossa batalha agora deverá ser para que dentro das suas condicionalidades se tenha o melhor aeroporto possível com todas as condições para passageiros e aviões, para que não este não seja um factor que pese negativamente na escolha de alguém que nos queira visitar, ou mesmo de alguém que queira investir na nossa Ilha.