11 junho 2005

E o Pico? Não merece?

O ideal seria todas as pistas serem longas o suficiente para que os aviões que normalmente lá operam não sejam sujeitos a qualquer restrição no peso que podem transportar. Mas temos que ter em conta a natureza das nossas ilhas, que em muitos casos não o permite, e por vezes ainda adiciona limitações aos aeroportos por causa de turbulências drivadas da morfologia do terreno da zona que os envolve. Nos casos em que a obra é possivel, muitas vezes o preço a pagar por estas pistas sem restrições não se justificam pelos beneficios que possam daí resultar, e faz-se um compromisso entre o dinheiro a gastar e a operacionalidade dos aviões nessa pista. E foi baseado nisto que a pista do Pico foi feita há medida dos voos para Lisboa, um A320 consegue na maior parte dos dias descolar com a carga máxima, desde que não leve os tanques de combustível cheios, o que lhe restringe o alcance. Em dias mais quentes, em que a performance dos aviões é deteriorada, um A320 poderá ser obrigado a deixar alguma carga ou mesmo passageiros em terra para puder carregar combustível suficente para chegar a Lisboa.
Assim no Pico poupou-se ao máximo, e agora vêm falar em ampliar a pista da Horta para que os A320 deixem de ter estas limitações lá, um aumento que sairá muito mais caro do que saíria dotar o Pico de uma pista de igual dimensão. Que razões existem que justifiquem este gasto na Horta mas não no Pico? No fim de contas ficámos com uma pista limitada há nascença sem necessidade nenhuma, até porque o custo de se acrescentar mais 300-500 metros, uma vez que já se estava a mexer na pista, é insignificante em relação ao que terá que ser gasto na Horta, caso a obra avance.
Outra hipótese a que acho estranha é a possibilidade de se fazer uma nova pista em S.Jorge para que a operacionalidade para esta ilha seja melhorada. Acho estranho porque no Pico não hove dinheiro para fazer o suficiente para se estar há vontade, não se enganem, temos os mínimos dos mínimos em termos de comprimento para que as pequenas aeronaves de médio curso chegem a Lisboa com um carregamento decente, e agora só o facto de estarem a considerar a hipótese de uma nova pista em S. Jorge é extranho, o dinheiro já não importa? Ainda por cima já decorrem as obras de melhoramento da aerogare de S.Jorge, é para se deixar tudo ao abandono?

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